sábado, 20 de setembro de 2014

Sobre as eleições de 2014

Gostaria de esclarecer aos desavisados que não existem apenas três candidatos à presidência de república. Por favor... Votar em Dilma, Aécio ou Marina só vai mudar o partido, porque mudança não vai haver. O PT é uma corja de ladrões que tomaram conta de país em todos os níveis, compraram os sindicatos, roubaram a Petrobrás e cuspiram no nosso voto de confiança. PT nunca mais. O PSDB é o partido das privatizações, conservador ao extremo, só vai beneficiar a elite. Jamais também. A Marina é uma figura... Não conseguiu criar o partido REDE, virou vice do Eduardo Campos, tirou foto no túmulo dele, voltou atrás em propostas modernas por causa de pressões religiosas... Não merece meu voto. Das pessoas que aparecem nos debates, as únicas que podem ser levadas a sério são a Luciana Genro e o Eduardo Jorge, quer dizer... é muita zueira levar ele a sério. Não dá. Esse ano o meu voto é pro PSOL. E isso é um voto de consciência para as mudanças que o país precisa. E tenho dito.

sábado, 13 de setembro de 2014

Por mais conexões em mundo de individualidades



Quando a gente se conecta com alguém é tão mágico. Parece que o tempo para e alguma coisa faz sentido. Se aproximar da essência de alguém dá motivação pra vida. Perceber afinidades diminui nossas solidões. Tem gente que conversamos por minutos, horas, dias, semanas, meses ou anos, mas não importa tanto o tempo, mas a intensidade da interação. Tem gente que sequer conversamos, mas nos deixam com uma sensação de comunhão, de encontro. As pessoas realmente deixam um pouco delas em nós, por vezes com uma dose de saudade de um tempo que nunca retorna. O importante é que as carregamos conosco, pessoas que talvez nem se lembrem de nós, mas que por um abraço, um olhar, uma conversa se abrigaram no calor de nossas lembranças. Gostaria de expressar o imenso carinho que sinto nesse momento por essas pessoas , inclusive pelas que não conheço direito e muitas que não estão aqui. Sintam-se abençoadas nesse momento e em todos os momentos. Não importa a dificuldade em que se encontrem, lembrem-se de que vocês nunca estão sozinhos. Desejo que cada um descubra sua própria luz e que esta se expanda cada vez mais. Sintam-se abraçados. 


17/08/2014

Pelos noticiários da vida

É tanto absurdo que passa nos noticiários, tanta tragedia, violência, guerra e descaso que eu me pergunto até quando isso vai continuar. Quando será que iremos nos reconhecer como semelhantes e respeitar os outros? Será que a humanidade está evoluindo? Sinceramente... vamos nos amar mais. O mundo anda muito hostil. Em qualquer lugar que se vá as pessoas estão competindo, fazendo intrigas, tentando prejudicar os outros. Por outro lado, há cada vez mais doenças, muitas causadas por estresse, medo e preocupações. O egoísmo impera, a indiferença está instalada e nossas vidas mecânicas seguem... podemos chamar isso de vida? A humanidade caminha para o seu próprio fim. O único bote que nos salva é o amor, mas ele é tão raro que essa ideia parece absurdamente utópica. Mas a vida também é tão absurda... pandora nos deixou ao menos a esperança.


19/07/2014

Perdas literárias de 2014

Sinceramente, acho muito suspeito três grandes escritores brasileiros terem partido em tão pouco tempo. Se minha imaginação fosse fértil começaria a supor diversas possibilidades de atuação de forças antagônicas à cultura, ao povo brasileiro e à academia de letras... mas talvez seja coincidência mesmo. Se o Brasil fosse um país sério decretaria luto, pelo menos - ou talvez devesse investigar melhor essas mortes... O que importa é saber que suas obras são imortais, suas palavras continuarão sendo ditas, lidas e relidas infinitas vezes. Os humanos morrem, mas suas obras neste mundo permanecem. Tempo para refletir, ler mais e ser mais. Qual será o nosso legado? Nosso tempo está se esgotando...

23/07/2014

Clima de Brasília e nossa relação com o meio ambiente

Quando penso no clima de Brasília, lembro da oscilação de temperatura nos planetas ditos não habitados, que varia de -30 °C a 135 º C - especulação aproximada. Sinceramente, acho que caminhamos para isso. Em breve não haverá vida aqui longe do climatizadores, aparelhos de ar condicionado e aquecedores. O período da noite chega a temperaturas de 9 º C e durante o dia, 32 º C. Além disso a umidade chega a cair à 15%. O céu fica marrom, os raios de sol escaldantes batem no asfalto, no cimento e nos metais irradiando um calor intenso. Não tem protetor solar que dê conta.
Chuva mesmo, só no verão. Chove durante uns três meses sem parar. A roupa não seca. Nenhum guarda-chuva dá conta. Ruas alagadas, bueiros entupidos, os carros banhando os pedestres e as paredes vazando água pela casa toda.
Quem não é de Brasília sofre bastante, quem é daqui sofre muito também. Reparei que muitas das poucas árvores de Brasília foram removidas para a promoção de obras de infraestrutura, mas não lembro de nenhuma plantada no lugar das que se foram - independente de ficarem próximas ou distantes do local anterior.
Aproveitando o clima de eleição, não lembro de nenhum candidato se preocupar com a questão ambiental com investimento em plantio de mudas, energia solar, educação ambiental e reciclagem de lixo. Apenas a Marina Silva levantou as questões de desmatamento e investimento em energias renováveis. Por isso, percebo o descaso com um tema tão importante e que nos leva a seguinte questão: Nós somos o meio ambiente, tudo o que for retirado ou acrescentado provocará consequências em cada elemento desse meio. Devemos, pois, reconhecer que a nossa sobrevivência depende disso - do equilíbrio.

Que braseiro, que fornalha... umidade aqui, tem não...
Nariz sangrando, pele rachada... inverno em Brasilia, não chove não...


Que calor é esse? Eu quero saber... Aquecimento global pronto pra te derreter... Somos candangos sem climatizador, morrendo no inverno com esse calor... Somos candangos sem climatizador, morrendo no inverno com esse calor...

domingo, 7 de setembro de 2014

É preciso lutar sempre

Em nosso cotidiano, tantos acontecimentos, atitudes e palavras prejudicam nossa vida, nosso estado emocional e nos comprimem com suas mãos invisíveis. As perturbações externas e internas se fundem e aumentam. O estresse, a depressão, a angústia, a ansiedade, a baixa auto-estima, o medo, o cansaço, o desespero e a apatia se alternam e se expandem... Até quando? Até percebermos que não queremos mais isso, que não queremos lamentar mais um dia que se passa, o que não foi conquistado, o que não foi feito ou não foi dito. Até percebermos que queremos ser felizes e que para isso devemos fortalecer o nosso interior. Não devemos nos abalar, descabelar, praguejar ou nos culpar. Devemos nos livrar disso adotando um outro padrão de pensamento, agradecendo pelo que temos, as pessoas que amamos, a comida que comemos, a cama em que dormimos. Devemos nos encher de paz e perdoar a ignorância alheia. Não devemos pagar na mesma moeda, mas mostrar que há um outro caminho. Pois nós somos feitos das escolhas que fazemos. Não somos vítimas, somos cúmplices ou os próprios agressores de nós mesmos. É preciso ser firme e forte e buscar isso dentro de cada um de nós. Somos melhores do que pensamos, mas não podemos ficar parados esperando que as coisas se resolvam sozinhas. Somos os agentes de nossa mudança. Por isso, é preciso lutar sempre.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A nuvem se beija, se une, se funde e se transforma em algo que não existia. O amor é isso?

A episteme e a doxa não são uma dualidade da filosofia, são uma dualidade essencialmente humana - sua divisão entre corpo e alma.

O urubu no alto voa. Some nas nuvens e deixa de existir. Depois ressurge de onde menos se espera.

O tempo é o vento que nos arrasta feito nuvens errantes (para o nada? para o fim?) e nos desgasta.

Talvez nossa vida seja um livro e morte seja o fim da história.

Viver é mais que um ato de vontade, é um ato de coragem.

O céu está caindo. Que belo espetáculo. Caia sobre mim.

O romantismo é minha natureza. O exagero, o pessimismo, a loucura, o langor e a melancolia estão em minha formação assim como os músculos, os ossos e os órgãos que me constituem. Estão em mim antes que eu percebesse. São meus ingredientes invisíveis.

27/05/2013 - Nuvens dançando no imenso azul do céu.


Retrato 1

     Onze horas da noite, entrei no ônibus para voltar para casa e sentei ao lado de uma moça. Ela estava encostada à janela, perto da porta traseira. Tinha os cabelos presos, longos e tingidos de loiro com luzes. Vestia casaco moletom com zíper, jeans e tênis. Lia um livro com atenção. 
     O ônibus pôs-se em movimento e ela continuou a ler. Tive curiosidade sobre o título do livro, pois talvez fosse muito interessante ou então ela tinha urgência em ler por algum outro motivo - falta de tempo, talvez. Parece-me que os livros que lemos dizem algo sobre nós, não apenas porque parte deles permanece, mas pode revelar ou dar pistas sobre características particulares, formas de pensar, agir ou sentir.
     Então esgueirei os olhos sem mexer muito o rosto para ser discreta e descobri: era O Capital, de Karl Marx. Fiquei surpresa! É raro ver alguém lendo esse livro, ainda mais em um ônibus veloz pela falta de trânsito. Devia ser estudante - pensei. Reparei no papel que tinha em uma das mãos para marcar a página. Era um panfleto verde sobre uma chapa estudantil de uma universidade pública. Estava confirmado, era mesmo uma estudante.
     Desviei a atenção e fiquei durante algum tempo observando a escuridão do lado de fora da janela. Havia luzes pequenas e distantes. Aquele trecho não possuía iluminação pública. Devo ter pensado sobre vários assuntos, provavelmente a maioria deles não tinha muita importância. Ela então fechou o livro. Tive outra surpresa: - Que livro grosso! - pensei. A mochila dela devia estar muito pesada. Lembrei de quando andava com mochila no ônibus. Também estava sempre pesada, mas também tinha de tudo um pouco.
     Tentei imaginar o curso dela, mas me distraí com outra coisa. Ela pegou seus fones de ouvido, ajustou-os e ligou a reprodução de músicas. No momento não tentei imaginar o que ela ouvia (mas estou tentando fazer isso agora). Voltei a admirar a paisagem de luz e sombras. De repente percebi um reflexo, o reflexo dela. Parecia que ela chorava, sim, ela estava chorando. Não sei explicar a situação incômoda em que fiquei. Tinha vontade de falar com ela, tentar amenizar sua dor... Por outro lado, eu, mais do que ninguém, sabia da importância da privacidade e da calmaria que vem depois da tempestade (de lágrimas, inclusive).
     Essa situação se estendeu por algum tempo. Observei as cabeças das outras pessoas. Ninguém havia reparado na moça. Engoli a falta de saliva. Ela também observava a escuridão enquanto ouvia música e aparava as lágrimas. Tentava ser discreta, mas sem tentar esconder nada. Era um choro silencioso.
     A tensão permaneceu até o momento em que ela pegou seu telefone e fez uma ligação. Disse que já estava chegando. Aparentemente alguém iria buscá-la na parada de ônibus, afinal estava tarde. Ela recolocou seus fones e reconduziu sua atenção para a janela. Eu também fiz uma ligação, pois alguém também iria me buscar na parada. Quando desliguei comecei a imaginar que talvez ela tivesse problemas em casa. As outras pessoas do ônibus, elas também deviam ter problemas em casa também, assim como eu e provavelmente ela. Mas nem todos lidam com os problemas da mesma forma.
     O que posso dizer é que tive medo de fazer contato. Aquela situação me marcou e a imagem daquela jovem permanece comigo desde aquele dia - ou noite, se preferir. Sinto como se não devesse esquecê-la. Foi como se eu sentisse um pouco da dor dela. E quando relembro este caso revivo toda aquela situação, toda aquela tensão e a indecisão de dirigir-lhe ou não a palavra. E agora ela faz parte de mim. Nem sei o nome dela...



     Entregou-se à tristeza como que domada por um sono e sucumbiu. 


     O verbo é sentir. Nossos sentimentos são cavalos indomáveis distorcendo a mente, disparando uma chuva torrencial que alaga tudo. São tão nossos, tão escondidos, tão profundos... Compartilhá-los com alguém é transferir poder e importância a essa pessoa; é revelar uma pedrinha preciosa; materializar o invisível.